Eleição trava a venda de imóveis? O que muda para corretores em 2026
Por Euder Carreiro (CRECI-MG 54.599) · Publicado em · Atualizado em · 10 min de leitura

Eleição trava a venda de imóveis? Não. Em pesquisa da Loft com a Offerwise feita em julho de 2026, entre 51% e 53% de quem pretende comprar disse que vai manter os planos apesar das eleições, e a intenção de compra medida pela Brain chegou a 52% em junho, recorde da série. O que muda é o ritmo: parte dos clientes antecipa, parte espera, e o corretor precisa saber em qual grupo cada lead está.
Resumo rápido
- O 1º turno das eleições de 2026 acontece em 4 de outubro e o 2º turno, onde houver, em 25 de outubro, segundo o calendário do TSE.
- Na pesquisa Loft/Offerwise de julho de 2026, a maioria dos compradores manteve o plano de compra, mas 48% dos entrevistados se disseram inseguros para assumir um financiamento.
- A intenção de comprar imóvel atingiu 52% no 2º trimestre de 2026, o maior nível desde 2019, segundo a Brain Inteligência Estratégica em parceria com a Abrainc.
- As vendas de imóveis novos cresceram 5,4% no 1º semestre de 2026, para 226.536 unidades, conforme os Indicadores Imobiliários Nacionais da CBIC.
- Para o corretor, o período eleitoral pede segmentação de leads e argumentos baseados em dado, não em palpite político.
O que é o “efeito eleição” no mercado imobiliário?
Efeito eleição é o nome informal dado à tendência de parte dos compradores adiar ou antecipar uma decisão grande, como comprar ou alugar um imóvel, por causa da incerteza sobre quem vai governar e qual será a política econômica. Ele não para o mercado; ele desloca o calendário de algumas decisões.
Na prática, o efeito aparece na imobiliária como visitas que viram “vamos ver depois de outubro” e propostas que demoram mais para serem assinadas. No sentido oposto, há clientes que aceleram para fechar antes de uma possível mudança de regras. Entender esse comportamento ajuda a não confundir hesitação passageira com falta de interesse.
Eleição trava mesmo a venda de imóveis em 2026?
Não trava, segundo os levantamentos mais recentes. A maior parte de quem planeja comprar manteve o plano, e o volume de vendas do primeiro semestre foi maior que o de 2025.
A pesquisa da Loft com a Offerwise, publicada pelo portal Portas em 25 de setembro de 2026, ouviu 1.400 pessoas em seis capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Goiânia) entre 21 e 30 de julho. Entre 51% e 53% dos que pretendem comprar disseram manter os planos diante das eleições presidencial e estadual. Entre os que buscam locação, a fatia que mantém os planos ficou entre 62% e 73%.
Há um ponto de atenção, porém. Entre os entrevistados que preveem retração do consumo depois da eleição, 65% apontaram o imóvel como o bem mais afetado. Ou seja, o cliente não desistiu, mas está mais sensível a qualquer sinal de risco. Isso muda a forma de conduzir a negociação, não a decisão de atender.
Quantos clientes vão antecipar ou adiar a compra?
Cerca de um terço do público pensa em mexer no calendário. Uma pesquisa anterior da mesma parceria Loft/Offerwise, feita entre 16 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026 com 2.400 entrevistados em todo o país, mostrou que 35% deviam antecipar ou adiar a compra nos 12 meses seguintes.
Nesse levantamento, 18% pretendiam antecipar e 17% queriam adiar, enquanto 55% mantinham o plano original. O perfil muda bastante conforme o grupo:
- Quem antecipa: a antecipação foi mais citada por jovens de 18 a 24 anos (26%) e pela classe A (28%).
- Quem adia: o adiamento foi mais forte entre pessoas com 55 anos ou mais (23%) e na região Sul (25%).
- Quem ainda não decidiu: nas classes C e D/E, mais de 40% não tinham plano definido.
Para o corretor, essa divisão vale ouro. O cliente indeciso de classe C não precisa de pressão; precisa de simulação clara de parcela e de entrada. Já o comprador de alto padrão que quer antecipar valoriza agilidade na documentação e boas opções prontas para visita.
Por que o financiamento é o ponto mais sensível?
Porque é uma dívida longa assumida num momento de incerteza. Na pesquisa Loft/Offerwise de julho de 2026, 48% dos entrevistados disseram se sentir inseguros para contratar um financiamento imobiliário agora; na classe D/E, a insegurança chegou a 57%.
O dado conversa com o noticiário econômico desta semana, que aponta os juros ainda altos como um dos principais desafios para quem assumir a Presidência em 2027. Não cabe ao corretor prever a política monetária, e qualquer promessa sobre a taxa futura é arriscada. O que dá para fazer é mostrar ao cliente quanto ele paga hoje, quanto da renda a parcela compromete e quais alternativas existem, como usar o FGTS ou comparar bancos.
Se o seu cliente pretende usar o fundo na entrada, vale revisar as novas regras do saque-aniversário, explicadas no nosso guia sobre como o saque-aniversário do FGTS afeta a compra do imóvel. Para entender de onde vem o dinheiro dos bancos, consulte o guia completo do crédito imobiliário SBPE em 2026.
O que os números de vendas mostram até agora?
Mostram um mercado em alta moderada, puxado pelo Minha Casa, Minha Vida. Segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais do 2º trimestre de 2026, divulgados pela CBIC em 24 de agosto e produzidos pela Brain, foram vendidas 226.536 unidades novas no 1º semestre, alta de 5,4% sobre as 214.910 do mesmo período de 2025.
Só no 2º trimestre, as vendas somaram 113.676 unidades, 5,3% acima do 2º trimestre de 2025. O programa habitacional respondeu por 51% dessas vendas e por 58% dos lançamentos do trimestre, a maior participação desde o início da série, em 2019.
Resumo dos dados
Indicador Resultado Período Intenção de compra de imóvel 52% (recorde da série iniciada em 2019) Junho de 2026 Compradores que mantêm planos apesar da eleição 51% a 53% Julho de 2026 Entrevistados inseguros para financiar 48% (57% na classe D/E) Julho de 2026 Quem deve antecipar ou adiar a compra 35% (18% antecipam, 17% adiam) Dez/2025 a jan/2026 Vendas de imóveis novos 226.536 unidades (+5,4%) 1º semestre de 2026 Participação do MCMV nas vendas 51% 2º trimestre de 2026 Fonte: Portas — Eleições 2026: consumidor teme o mercado, mas mantém plano de comprar imóvel; Abrainc — A intenção de compra de imóveis atinge o maior nível da série histórica; IRIB — Vendas de imóveis avançam 5,4% no primeiro semestre
Por que tanta gente ainda quer comprar imóvel?
Porque o motivo principal é pessoal, não político. Na pesquisa da Brain com a Abrainc, feita com 1.200 entrevistas em junho de 2026, sair do aluguel foi a razão mais citada (37%), seguida de sair da casa dos pais (15%). Buscar mais espaço apareceu com 14%, e a compra para investimento ou renda de locação, com 13%.
O mesmo estudo indica que 68% dos interessados pretendem comprar em até dois anos. Esse horizonte é maior que o ciclo eleitoral, o que reforça a leitura de que a eleição mexe no “quando”, e não no “se”. Um lead que some em outubro pode reaparecer em dezembro, desde que alguém continue a conversa.
O que muda para o corretor e a imobiliária neste período?
Muda a gestão do funil. O volume de interessados segue alto, mas o tempo entre a primeira visita e a proposta tende a se alongar para uma parte da carteira, e o corretor que não acompanha esses contatos perde a venda para quem acompanha.
Três ajustes ajudam. O primeiro é classificar os leads pelo momento de decisão (antecipar, manter, adiar ou indeciso), em vez de tratar todos igual. O segundo é registrar o motivo da compra, já que quem quer sair do aluguel tem pressa diferente de quem compra para investir. O terceiro é programar retornos para depois do 1º e do 2º turno, quando parte da incerteza se dissipa.
Um CRM imobiliário como o da NexReal facilita esse trabalho, porque permite etiquetar cada contato, ver em que etapa do funil ele parou e agendar o próximo passo sem depender da memória. Se a sua carteira está pequena para atravessar o período, o guia com 15 estratégias para gerar leads imobiliários por canal ajuda a reforçar a captação.
Como falar de eleição com o cliente sem perder a venda?
Fale de números, não de candidatos. O corretor que entra em discussão política arrisca a relação com o cliente e não ganha nada com isso. O papel profissional é traduzir o momento em impacto no bolso de quem compra.
Duas frases costumam funcionar: “Independentemente do resultado, a parcela que o senhor aprovar hoje fica registrada no contrato” e “Vamos simular dois cenários de entrada para você decidir com calma”. Também vale lembrar ao vendedor e ao locador que o mercado seguiu comprando no primeiro semestre, com os dados da CBIC em mãos, para evitar descontos precipitados por medo.
Perguntas frequentes
Vale a pena comprar imóvel em ano de eleição?
Depende do plano e da capacidade de pagamento do comprador, não do calendário eleitoral. As pesquisas de 2026 mostram que a maioria manteve a decisão, e o principal motivo de compra, sair do aluguel, não muda com o resultado das urnas. O ideal é decidir com simulação de parcela e reserva financeira, sem apostar no resultado da votação.
Os preços dos imóveis caem depois da eleição?
Não há dado confiável que permita prever queda de preço por causa da eleição de 2026. O que os indicadores da CBIC mostram é demanda firme no 1º semestre, com vendas 5,4% maiores que em 2025. Prometer desconto pós-eleição ao cliente é um risco para a credibilidade do corretor.
Quando acontece o segundo turno das eleições de 2026?
Segundo o calendário aprovado pelo TSE, o 2º turno está marcado para 25 de outubro de 2026. Ele só ocorre nas disputas para presidente e governador que não forem decididas no 1º turno, em 4 de outubro. Muitos clientes indecisos devem retomar a busca depois dessa data.
O financiamento imobiliário fica suspenso durante as eleições?
Não. A eleição não suspende a análise de crédito nem a assinatura de contratos de financiamento. O que muda é a percepção do cliente: 48% dos entrevistados da pesquisa Loft/Offerwise disseram se sentir inseguros para financiar agora, o que pede mais explicação e simulação por parte do corretor.
Como o corretor deve tratar o cliente que quer esperar a eleição?
Respeite a decisão, registre o motivo e agende um retorno com data definida, de preferência logo após o 1º ou o 2º turno. Enquanto isso, mantenha contato com conteúdo útil, como simulações atualizadas e novos imóveis no perfil dele. Lead acompanhado volta; lead esquecido compra com outro profissional.
O que o corretor pode fazer agora
- Revise o funil esta semana: separe os leads ativos em quatro grupos (antecipar, manter, adiar, indeciso) e anote o motivo da compra de cada um.
- Prepare simulações com duas opções de entrada e prazo para os clientes que citaram insegurança com o financiamento.
- Agende retornos para 5 e 26 de outubro, os dias seguintes a cada turno, com mensagem personalizada e imóveis atualizados.
- Dê destaque aos imóveis do Minha Casa, Minha Vida na sua vitrine se atua nessa faixa, já que o programa respondeu por metade das vendas no 2º trimestre.
- Converse com vendedores e locadores usando os dados de vendas da CBIC, para evitar redução de preço motivada só pelo clima eleitoral.
- Reforce a captação de novos contatos em canais próprios, para que a carteira não dependa apenas de quem já negociava antes de outubro.
Sobre o autor

Euder Carreiro — Corretor de imóveis e construtor civil · CRECI-MG 54.599
Euder Carreiro atua há mais de 10 anos no mercado imobiliário: como construtor civil e, há 5 anos, também como corretor de imóveis (CRECI-MG 54.599). É formado em Engenharia de Petróleo e Gás pela UFES e em Engenharia de Segurança do Trabalho pela FUMEC. Criador da NexReal, escreve o Guia para ajudar corretores e imobiliárias a vender e alugar com mais método.