Indicadores de imobiliária: quais KPIs acompanhar? Guia com 7 métricas
Por Euder Carreiro (CRECI-MG 54.599) · Publicado em · Atualizado em · 9 min de leitura

Os indicadores de imobiliária que realmente importam são poucos: tempo de resposta ao lead, taxa de conversão por etapa do funil, tempo médio até a venda, custo por lead, carteira de captação, inadimplência da locação e margem por corretor. Medir esses sete números toda semana, em vez de olhar só o faturamento, mostra onde a comissão está escapando antes que ela escape de vez.
Resumo rápido
- Faturamento é resultado; indicador é o que explica o resultado. Acompanhe o funil, a carteira e o caixa em separado.
- A inadimplência de aluguel no Brasil ficou em 3,05% em julho de 2026, segundo o índice da Superlógica, o menor nível em três anos.
- Sete indicadores cobrem as principais decisões de um gestor pequeno: resposta ao lead, conversão, ciclo de venda, custo por lead, captação, inadimplência e margem por corretor.
- Uma planilha simples, revisada toda segunda-feira por 30 minutos, já basta para começar; o CRM só automatiza a coleta.
O que são indicadores (KPIs) de uma imobiliária?
KPI (do inglês key performance indicator) é um número que mede se uma parte específica do negócio está saudável, comparado com uma meta ou com o próprio histórico. Numa imobiliária, ele transforma sensação em fato: "o pessoal está atendendo mal" vira "a mediana de resposta ao lead está em quatro horas".
Um bom indicador tem três características: é calculado sempre da mesma forma, tem um responsável e leva a uma ação. Se o número cai e ninguém sabe o que fazer, ele é enfeite de painel. Por isso, a regra prática é limitar a lista. Gestor com 25 indicadores não olha nenhum.
Quais são os 7 indicadores essenciais para acompanhar?
Separe os indicadores em três blocos: vendas (funil), carteira (captação e locação) e dinheiro (custo e margem). A seguir, cada um com a fórmula e o que fazer quando ele piora.
1. Tempo de resposta ao lead. Fórmula: horário da primeira resposta menos horário da entrada do contato, em mediana. Lead de portal esfria rápido; a conversa que começa em minutos costuma render mais visita que a que começa no dia seguinte. Se a mediana passa de uma hora no horário comercial, o problema é de escala de plantão, não de anúncio.
2. Taxa de conversão por etapa. Fórmula: quantos passaram para a etapa seguinte dividido por quantos entraram nela (lead para conversa, conversa para visita, visita para proposta, proposta para venda). Medir só a conversão final esconde o gargalo. Exemplo hipotético: 100 leads, 30 conversas, 9 visitas, 3 propostas, 1 venda. O vazamento maior está entre lead e conversa, então o treino certo é de abordagem, não de negociação.
3. Tempo médio até a venda. Fórmula: dias entre a captação (ou o primeiro contato do comprador) e a assinatura. Um ciclo que se alonga costuma indicar preço acima do mercado ou imóvel mal apresentado. Veja nosso passo a passo para fazer follow-up de imóveis com uma rotina de 45 minutos e encurtar essa espera.
4. Custo por lead e custo por venda. Fórmula: investimento do canal (portal, tráfego pago, Instagram) dividido pelos leads, e depois pelas vendas que vieram dele. O canal mais barato por lead raramente é o mais barato por venda. Compare os canais no estudo site próprio ou portais imobiliários antes de cortar ou ampliar verba.
5. Carteira de captação. Fórmula: imóveis novos captados no mês, com percentual de exclusividade, e a idade média dos anúncios ativos. Quem não capta hoje não vende daqui a três meses. Anúncio parado há muito tempo pede revisão de preço, fotos ou desligamento; defina o seu limite (por exemplo, 90 dias) e aplique igual para todos.
6. Inadimplência da carteira de locação. Fórmula: valor em atraso acima de 60 dias dividido pelo valor total cobrado no mês. É o mesmo critério usado pelo índice nacional da Superlógica, o que permite comparar sua carteira com o mercado.
7. Margem por corretor e por contrato. Fórmula: comissão recebida menos comissão repassada, custos diretos e rateio de estrutura, dividido pelo número de negócios. Corretor que fecha muito com margem negativa não é o seu melhor corretor.
Como está a inadimplência de aluguel em 2026?
Em julho de 2026 a inadimplência de aluguel no Brasil foi de 3,05%, o menor patamar em três anos, e em agosto subiu para 3,11%, segundo o Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, que acompanha mais de 800 mil locatários e considera atraso acima de 60 dias.
Resumo dos dados
Indicador Resultado Período Inadimplência de aluguel, Brasil 3,05% Julho de 2026 Inadimplência de aluguel, Brasil 3,11% Agosto de 2026 Inadimplência em São Paulo 2,76% Agosto de 2026 Imóveis comerciais, média nacional 4,22% Agosto de 2026 Casas, média nacional 3,30% Agosto de 2026 Apartamentos, média nacional 2,13% Agosto de 2026 Fonte: Sindiconet — Inadimplência de aluguel cai no Brasil (Superlógica, julho de 2026) e Novo Dia Notícias — Inadimplência de aluguel volta a subir em SP (agosto de 2026)
O dado útil para o gestor não é a média, e sim a comparação: se a sua carteira está acima do índice, algo na análise de crédito, na garantia ou na cobrança pode estar fora do padrão. Segundo a mesma Superlógica, os aluguéis de menor valor concentram mais atrasos: em julho de 2026, 5,99% no residencial e 7,27% no comercial até R$ 1.000.
Como montar o painel em uma planilha, passo a passo?
Comece com uma aba por bloco (funil, carteira, caixa) e uma linha por semana. Preencher leva cerca de 30 minutos se os dados já estiverem organizados num lugar só.
- Defina a fonte de cada número. Leads: o CRM ou a exportação dos portais. Visitas: a agenda. Vendas: contratos assinados. Caixa: extrato e contas a receber.
- Registre sempre a mesma janela. Semana de segunda a domingo, mês fechado no último dia útil.
- Escreva a meta ao lado do resultado. Na primeira rodada, a meta é o seu próprio histórico de três meses; só depois compare com o mercado.
- Marque em vermelho o que piorou duas semanas seguidas. Uma semana ruim é ruído; duas é tendência.
- Termine a reunião com uma ação por indicador vermelho, com nome e prazo.
Um CRM como o da NexReal registra horário de resposta, etapa do funil e origem do lead sem digitação, o que elimina a parte mais chata da planilha. Se estiver avaliando ferramentas, o guia sobre quanto custa um sistema para imobiliária ajuda a comparar.
Quais erros mais comuns na gestão por indicadores?
Os erros que mais travam gestores pequenos são medir demais, medir o que não depende de ninguém e nunca agir sobre o número.
- Indicador de vaidade. Seguidores no Instagram e visualizações do anúncio não pagam conta. Prefira o que se aproxima de visita e proposta.
- Média que esconde. Um corretor com 12 vendas e outro com zero dão média de 6. Olhe por pessoa, com respeito, e por canal.
- Comparar mês fraco com mês forte. Fevereiro não se compara com dezembro; compare com o mesmo mês do ano anterior.
- Ignorar a locação. Quem administra aluguel tem receita recorrente, mas também risco recorrente. A inadimplência merece pauta própria.
- Cobrar o número sem dar o método. Se a conversão de visita caiu, o corretor precisa de roteiro e treino, não de bronca.
Como usar os indicadores no dia a dia com a equipe?
Use o painel como pauta de uma reunião curta, sempre no mesmo dia e horário, e deixe o corretor ver os próprios números antes do gestor comentar.
Uma pauta de 30 minutos funciona bem: 5 minutos para o resultado da semana, 15 para os dois indicadores mais vermelhos, 10 para combinar as ações. Na prática de balcão, vi isso mudar o clima da equipe: quando o número é público e igual para todos, a conversa deixa de ser sobre quem o gestor "gosta mais" e passa a ser sobre o que fazer na segunda-feira. Para alimentar o topo do funil, consulte as estratégias para gerar leads imobiliários.
Perguntas frequentes
Quantos indicadores uma imobiliária pequena deve acompanhar?
Entre cinco e sete. Mais do que isso, o gestor deixa de olhar e a equipe deixa de entender o que importa. Comece pelos sete deste guia e só acrescente outro quando uma decisão concreta depender dele.
Qual é o indicador mais importante de uma imobiliária?
Depende da fase. Para quem vende, geralmente é a conversão por etapa do funil, porque mostra onde o lead se perde. Para quem administra locação, é a inadimplência acima de 60 dias, porque afeta diretamente o caixa e o repasse ao proprietário.
Qual é uma inadimplência de aluguel considerada normal?
Como referência de mercado, o índice nacional da Superlógica ficou em 3,05% em julho e 3,11% em agosto de 2026. Carteiras bem acima disso merecem revisão da análise de crédito e das garantias; compare sempre por tipo de imóvel e faixa de valor.
Preciso de um sistema para acompanhar indicadores?
Não para começar. Uma planilha revisada toda semana já entrega o essencial. O sistema passa a compensar quando o volume de leads e contratos torna a digitação lenta ou propensa a erro.
Com que frequência devo revisar os indicadores?
Funil e resposta ao lead, toda semana. Carteira de captação e inadimplência, quinzenal ou mensal. Margem por corretor, mensal, com o mês fechado. Revisar com frequência maior que a do ciclo de decisão só gera ansiedade.
Posso divulgar o ranking de corretores para toda a equipe?
Pode, desde que o critério seja claro e o foco seja o método, não a exposição. Mostrar a posição de todos é comum, mas conversas sobre desempenho individual ruim devem ser reservadas.
O que o corretor pode fazer agora
Se você é corretor autônomo ou gestor de uma imobiliária pequena, faça isto ainda hoje:
- Abra uma planilha com três abas (funil, carteira, caixa) e liste os sete indicadores acima.
- Preencha as últimas quatro semanas com o que você tem; onde não houver dado, anote "sem registro" e comece a registrar.
- Escolha o indicador mais fraco e defina uma ação para esta semana, por exemplo responder todo lead em até uma hora no horário comercial.
- Marque na agenda uma revisão de 30 minutos toda segunda-feira.
- Se a carteira inclui locação, calcule a inadimplência acima de 60 dias e compare com os 3,11% nacionais de agosto de 2026.
Sobre o autor

Euder Carreiro — Corretor de imóveis e construtor civil · CRECI-MG 54.599
Euder Carreiro atua há mais de 10 anos no mercado imobiliário: como construtor civil e, há 5 anos, também como corretor de imóveis (CRECI-MG 54.599). É formado em Engenharia de Petróleo e Gás pela UFES e em Engenharia de Segurança do Trabalho pela FUMEC. Criador da NexReal, escreve o Guia para ajudar corretores e imobiliárias a vender e alugar com mais método.