Crédito imobiliário vai crescer 25% em 2026? O que muda para corretores

Por Euder Carreiro (CRECI-MG 54.599) · Publicado em · Atualizado em · 9 min de leitura

Crédito imobiliário vai crescer 25% em 2026? O que muda para corretores

A projeção de crédito imobiliário para 2026 foi revista para cima: a Abecip passou a esperar cerca de R$ 410 bilhões em financiamentos, alta de 25% sobre 2025, ante os 16% previstos em janeiro. Para o corretor, isso indica demanda firme mesmo com juro alto, mas com o crescimento puxado pelo Minha Casa, Minha Vida e não pelo financiamento com recursos livres.

Resumo rápido

O que a Abecip revisou na projeção de crédito imobiliário?

A associação refez as contas depois de um primeiro semestre melhor que o esperado. Segundo a cobertura do Mercado & Consumo sobre a Abecip, de agosto de 2026, a estimativa divulgada em janeiro era de R$ 375 bilhões. A nova gira em torno de R$ 410 bilhões, cerca de R$ 35 bilhões a mais. Em 2025 o total havia sido de R$ 328 bilhões.

Vale um cuidado de leitura: os veículos que reproduziram o material arredondaram o total de formas diferentes (R$ 410 bi e R$ 411 bi). A diferença é pequena, mas ao citar o número para um cliente ou numa postagem, use "cerca de R$ 410 bilhões" e deixe claro que é projeção da Abecip, não resultado já realizado.

Resumo dos dados

IndicadorResultadoPeríodo
Concessões de crédito imobiliárioR$ 180,9 bilhões (+23% sobre o 1º semestre de 2025)1º semestre de 2026
Projeção de volume totalcerca de R$ 410 bilhões (+25%)Ano de 2026
Projeção anteriorR$ 375 bilhões (+16%)Divulgada em janeiro de 2026
FGTS + Fundo Social do Pré-Sal (MCMV)R$ 195 bilhões (+38%)Projeção 2026
SBPE (poupança)R$ 185 bilhões (+18%)Projeção 2026
Recursos livrescerca de R$ 31 bilhõesProjeção 2026

Fonte: Mercado & Consumo — Abecip eleva projeção de alta nos financiamentos imobiliários de 16% para 25%

O que é SBPE e o que são recursos livres?

SBPE é o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo: o financiamento imobiliário bancário que usa como principal fonte os depósitos da caderneta de poupança. É a linha típica de quem compra com crédito de banco, sem enquadramento nas faixas do Minha Casa, Minha Vida.

Já os recursos livres são operações em que o banco capta o dinheiro por outros caminhos e define as condições com mais liberdade, o que costuma deixá-las mais sensíveis ao juro. Por isso essa linha perdeu espaço na projeção: a Abecip passou de R$ 51 bilhões para cerca de R$ 31 bilhões, segundo o mesmo levantamento. Para quem já leu nosso guia completo do SBPE para corretores, a novidade é que o motor do crescimento mudou de lugar.

Quem puxa o crescimento: o Minha Casa, Minha Vida ou o SBPE?

O Minha Casa, Minha Vida puxa a fila. A projeção para as linhas ligadas ao programa saltou de um crescimento de 5% para 38%, chegando a cerca de R$ 195 bilhões, de acordo com a reportagem do Registro de Imóveis do Brasil sobre a projeção da Abecip, de 26 de agosto de 2026. A mesma matéria registra que o programa respondeu por metade das vendas de imóveis residenciais novos no primeiro semestre.

O SBPE também cresce, mas em ritmo menor: a previsão subiu de 15% para 18%, com R$ 185 bilhões no ano. No semestre, as concessões dessa linha avançaram 29% sobre o mesmo período de 2025, o que mostra que o financiamento com poupança segue ativo. O que não aparece é uma explosão de crédito caro: o dinheiro novo está concentrado onde há subsídio e fundo público.

Se você quer entender o debate sobre tornar o programa permanente, o assunto está em Minha Casa, Minha Vida vira programa de Estado? O que muda para corretores.

O que a projeção diz sobre o juro alto?

Ela diz que o crédito segue andando, mas sob atenção. Michel Cury, presidente da Abecip, afirmou, segundo o Registro de Imóveis do Brasil, que a demanda por financiamento continua consistente mesmo em ambiente de juros elevados. A meta Selic definida pelo Copom está em 13,75% ao ano, conforme a série SGS 432 do Banco Central, e esse nível segue como o principal ponto de atenção para as concessões do segundo semestre.

Em termos práticos, juro alto não significa mercado parado, significa mercado seletivo. A parcela pesa mais, a renda exigida sobe e a margem de erro na simulação diminui. Esse efeito foi detalhado em Selic a 13,75% trava o financiamento imobiliário? O que muda para corretores, e a nova projeção reforça a conclusão: quem simula bem fecha, quem promete parcela sem checar renda perde o cliente na análise de crédito.

Projeção é garantia de venda para o corretor?

Não. Projeção é uma estimativa feita por uma associação do setor com base no que já aconteceu e em hipóteses para o resto do ano. Ela não garante que o volume será atingido, e muito menos que a sua carteira vai crescer na mesma proporção.

Há três razões para não confundir os dois:

Use o dado como termômetro de ambiente, não como meta de vendas.

Como adaptar o funil de vendas ao novo mapa do crédito?

Separe seus leads por fonte provável de recurso antes de agendar a primeira visita. A pergunta inicial deixa de ser "qual imóvel você quer?" e passa a ser "qual é a sua renda familiar e de onde virá a entrada?", porque a resposta define se o caminho é MCMV, SBPE ou recursos próprios.

Uma divisão simples ajuda a organizar o atendimento:

  1. Lead com perfil de MCMV: priorize imóveis dentro do teto do programa, confira saldo e tempo de FGTS e alinhe a expectativa de prazo, já que a análise costuma exigir mais documentos.
  2. Lead de SBPE: trabalhe com simulação de duas ou três entradas e prazos diferentes, mostrando o efeito do juro na parcela.
  3. Lead de alto valor ou recursos livres: esteja pronto para conversar sobre entrada maior, alternativas de crédito e prazo de decisão mais longo.

Num CRM como o da NexReal, essa etiqueta fica no cadastro do lead e o funil mostra em que etapa cada perfil trava. O ganho está em perceber, por exemplo, que os leads de MCMV param na documentação e os de SBPE na simulação, e agir sobre cada gargalo.

Quais cuidados o corretor deve ter ao citar a projeção?

Cite quem divulgou, quando e que é projeção. Ao postar ou conversar com cliente, escreva algo como "segundo a Abecip, em agosto de 2026, a previsão é de cerca de R$ 410 bilhões em financiamentos no ano". Esse formato é honesto, verificável e protege você de promessas que o mercado pode não cumprir.

Evite frases como "o crédito está liberado" ou "é a melhor hora para comprar". A projeção mostra um mercado em expansão, mas não diz que a taxa vai cair, que o banco vai aprovar o cliente ou que o preço do imóvel vai subir. Para o comprador, a decisão depende de renda, parcela e prazo, e não de uma manchete.

Perguntas frequentes

Quanto o crédito imobiliário deve crescer em 2026?

A Abecip projeta alta de 25% sobre 2025, com cerca de R$ 410 bilhões em financiamentos. A previsão anterior, de janeiro, era de 16% e R$ 375 bilhões. Trata-se de uma estimativa da associação, não de um resultado final.

Quanto foi financiado no primeiro semestre de 2026?

Foram R$ 180,9 bilhões em concessões de janeiro a junho, 23% acima do mesmo período de 2025, segundo a Abecip. No SBPE, o avanço semestral reportado foi de 29%. Esses números são resultado observado, diferentemente da projeção para o ano.

O que é SBPE?

É o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, linha de financiamento imobiliário bancário abastecida principalmente pelos recursos da caderneta de poupança. A Abecip projeta cerca de R$ 185 bilhões nessa linha em 2026, alta de 18%.

O Minha Casa, Minha Vida é o que mais cresce?

Na projeção, sim. As linhas ligadas ao programa, com recursos do FGTS e do Fundo Social do Pré-Sal, passaram de uma expectativa de 5% para 38% de crescimento, chegando a cerca de R$ 195 bilhões. O programa respondeu por metade das vendas de novos residenciais no semestre.

A Selic alta impede o financiamento imobiliário?

Não impede, mas encarece e torna a concessão mais seletiva. A meta Selic está em 13,75% ao ano, segundo o Banco Central, e a própria Abecip cita o juro como um dos principais pontos de atenção, mesmo com a demanda firme.

Posso usar a projeção da Abecip como promessa de venda?

Não. É um indicador nacional e agregado. Use-o como contexto, citando fonte e data, e baseie a conversa com o cliente em simulação real de renda, entrada e parcela.

O que o corretor pode fazer agora?

Comece pela base de leads e classifique cada contato pela provável fonte de recurso. Em seguida, revise o material de atendimento de cada perfil e ajuste o discurso ao ambiente de juro alto.

  1. Reabra os leads parados dos últimos 90 dias e pergunte renda familiar e saldo de FGTS, para reclassificá-los em MCMV, SBPE ou recursos próprios.
  2. Monte uma simulação padrão com duas entradas e dois prazos e envie ao cliente antes da visita.
  3. Revise sua carteira: se há imóveis dentro do teto do MCMV, destaque isso no anúncio e na descrição.
  4. Registre no CRM em que etapa cada perfil trava (documentação, simulação, análise de crédito) e acompanhe o gargalo semana a semana.
  5. Ao divulgar o número da Abecip, cite fonte, data e a palavra "projeção".

Sobre o autor

Euder Carreiro

Euder Carreiro — Corretor de imóveis e construtor civil · CRECI-MG 54.599

Euder Carreiro atua há mais de 10 anos no mercado imobiliário: como construtor civil e, há 5 anos, também como corretor de imóveis (CRECI-MG 54.599). É formado em Engenharia de Petróleo e Gás pela UFES e em Engenharia de Segurança do Trabalho pela FUMEC. Criador da NexReal, escreve o Guia para ajudar corretores e imobiliárias a vender e alugar com mais método.

@eudercarreiro_ no Instagram

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